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Balança Comercial: um saldo positivo

Balança Comercial: um saldo positivo

A expectativa negativa a respeito da conjuntura econômica brasileira é resultado do desempenho insatisfatório de uma série de indicadores, tais como o índice inflacionário, o Produto Interno Bruto e a taxa de desemprego.
 
No ano de 2015, esses dados não foram nada animadores: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 10,67%, acima do teto da meta de inflação de 6,5% a.a, estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, o que significou a corrosão do poder aquisitivo das famílias. A economia encolheu 3,8%, segundo dados do IBGE, o que refletiu na desaceleração do mercado de trabalho, que alcançou uma taxa de desemprego de 8,5% no ano passado.
 
A divulgação pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do saldo positivo da Balança Comercial de US$ 4,435 bilhões de dólares, em março de 2016, o melhor para o mês, desde 1989, poderia ser considerado um alento diante desse quadro instável e desanimador da economia nacional.
 
Entretanto, é preciso investigar, de forma mais aprofundada, o que reflete tal resultado, aparentemente positivo. O Superávit Comercial ocorre quando as exportações superam as importações de bens e serviços. As exportações foram de US$ 15,994 bilhões, enquanto que as importações foram de US$ 11,559 bilhões, no mês de março.
 
De acordo, ainda, com os dados do MDIC, no primeiro trimestre de 2016, as exportações tiveram valores 5,1% menores do que em igual período de 2015. As importações, por sua vez, também tiveram uma queda de 33,4%.
 
Quanto às exportações, é preciso destacar que houve um aumento no volume de vendas, mas uma queda de 17,4% no preço médio dos produtos. As commodities, que ocupam, de maneira majoritária, a pauta das vendas externas nacionais, ainda continuam com preços aquém dos períodos de boom do setor. Assim, apesar de o dólar alto ser favorável às exportações, pois os bens nacionais tornam-se relativamente mais baratos, tal fato não repercutiu, de forma efetiva, em sua ampliação.
 
Ademais, ainda conforme os dados divulgados pelo MDIC, as exportações de manufaturados e semimanufaturados caíram, quando se comparam os dados do mês de março de 2015, e reafirmam a existência da baixa competitividade da indústria nacional no cenário externo.
 
Quanto às importações, houve queda tanto na quantidade, quanto nos preços. Os piores resultados foram encontrados nos setores de combustíveis e lubrificantes (resultado da queda do preço de petróleo, gás natural, carvão, etc.); de bens de consumo; de bens intermediários e de bens de capital. Não é somente a desvalorização da moeda nacional, frente ao dólar, responsável por esse desempenho das importações, mas, sobretudo, o contexto de recessão econômica, mencionada anteriormente.
 
A redução do consumo das famílias repercute sobre a aquisição de bens de consumo, enquanto a diminuição dos investimentos produtivos das empresas reflete na redução das compras de máquinas, equipamentos e insumos em geral. Se analisarmos o ocorrido nos anos anteriores, é possível estabelecer uma relação clara entre diminuição dos investimentos na economia e queda no nível de importações, conforme foi observado nos últimos meses.
 
A partir dessa análise, é possível afirmar que o saldo positivo da Balança Comercial se deu muito mais motivado pela queda nas importações do que por um desempenho favorável das exportações. Assim, a própria conjuntura econômica reforça esse indicador.
 
É evidente que um Déficit Comercial teria efeitos piores no quadro econômico nacional; entretanto, um superávit comercial não pode ser comemorado, sem a compreensão exata do contexto que o gerou e das características das pautas de exportação e importação de um país.
 
Portanto, é preciso a análise não somente de variáveis, como: taxa de câmbio, crescimento econômico, inflação e nível de desemprego (aspectos conjunturais), mas também do grau de competitividade e da inserção do país na economia mundial (elementos estruturais).
 
Texto de: Ana Raquel Mechlin Prado - Graduada e mestrada em Economia, tem estudos com ênfase em Economia Industrial e Economia Contemporânea. É professora do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas, na Universidade Presbiteriana Mackenzie (campus de Campinas) e está disponível para conceder entrevistas.

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Autoria

Texto de Ana Raquel Mechlin Prado - fonte: Ricardo Viveiros & Associados – Oficina de Comunicação e Universidade Presbiteriana Mackenzie - Abril 2016

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